A Lei nº 13.966/2019, que regula o franchising no Brasil, não fixa um valor ou percentual obrigatório para taxa de franquia ou royalties. Ela exige apenas transparência: cada taxa cobrada precisa estar detalhada na Circular de Oferta de Franquia (COF), com sua base de cálculo, periodicidade e finalidade explicadas para o franqueado antes da assinatura do contrato. Essa liberdade é, ao mesmo tempo, a maior oportunidade e o maior risco de quem está formatando uma rede: sem uma referência legal fixa, o franqueador precisa construir sua própria lógica de precificação — e errar nesse ponto compromete a lucratividade do franqueador e a atratividade da marca no mercado de franquias por anos.
O que a taxa de franquia realmente remunera
A taxa de franquia inicial não é o preço de “comprar a marca”. Ela remunera o conjunto de ativos que o franqueador entrega no momento da adesão: a licença de uso da marca e do know-how, o suporte de implantação, o treinamento inicial da equipe e, em muitos casos, parte do custo de estruturação daquela unidade específica dentro da rede. Cobrar um valor descolado desse conjunto de entregas gera dois problemas opostos e igualmente perigosos.
Quando a taxa é fixada muito abaixo do que a estrutura de implantação custa, o franqueador subsidia cada nova unidade sem perceber, e a central de suporte quebra financeiramente à medida que a rede cresce — o erro mais comum entre franqueadores em fase de expansão acelerada. Quando é fixada muito acima do que o mercado do segmento pratica, o funil de candidatos qualificados encolhe, e a rede atrai investidores mais especulativos, que chegam sem capital de giro suficiente para atravessar os primeiros meses de operação. O valor competitivo está no meio desse intervalo, calculado a partir do custo real de implantação e do benchmark do segmento em que a marca compete.
Royalties: faturamento bruto ou compra de produtos
A decisão mais estratégica dentro da estrutura de taxas é a base de cálculo dos royalties, e ela tem implicações que vão muito além do valor arrecadado. Cobrar royalties como percentual do faturamento bruto exige controle rigoroso sobre a apuração de vendas de cada unidade — o que aumenta o risco de subdeclaração e torna necessária uma auditoria de vendas consistente, apoiada por sistemas de PDV integrados à franqueadora.
Já a cobrança de royalties embutida na compra de produtos, praticada por redes que fornecem insumos ou mercadorias diretamente às unidades, simplifica o controle e reduz o risco de fraude, porque a receita nasce dentro da própria central de compras. Em compensação, esse modelo torna a franqueadora dependente do giro de produtos da unidade, não do seu desempenho comercial total, o que pode distorcer o incentivo em redes de serviço, onde a receita real está no atendimento e não na revenda de mercadorias. Não existe modelo certo de forma abstrata — existe o modelo certo para a estrutura operacional daquele segmento.
Fundo de propaganda: cobrar exige prestação de contas
Se a rede decide cobrar fundo de propaganda, esse valor não pode ser tratado como receita livre do franqueador. A cobrança gera, automaticamente, a obrigação de prestar contas a todos os franqueados contribuintes sobre como o dinheiro foi aplicado — campanhas nacionais, produção de material, mídia paga por praça. Redes que cobram fundo de propaganda e não demonstram esse retorno de forma clara enfrentam, com frequência, questionamentos formais de franqueados e desgaste na relação de confiança que sustenta toda a rede.
Uma prática que reduz esse atrito é segmentar claramente o que o fundo nacional cobre e o que continua sendo responsabilidade de marketing local de cada unidade. Sem essa divisão explícita, o franqueado tende a interpretar qualquer investimento adicional como “duplicidade” de cobrança, mesmo quando a campanha nacional e a ação local atendem a objetivos diferentes.
Benchmarking como ferramenta de precificação
Definir taxa de franquia e royalties de forma competitiva exige olhar para fora antes de olhar para dentro. Redes do mesmo segmento, porte de investimento e região costumam operar dentro de faixas relativamente previsíveis — e um franqueador que ignora esse benchmarking corre o risco de precificar sua franquia fora da realidade do mercado, seja para cima, afastando candidatos qualificados, seja para baixo, atraindo investidores por preço e não por qualidade do negócio.
Esse exercício de comparação não deve se limitar ao valor nominal das taxas. É preciso considerar o pacote completo: o que está incluído na taxa de franquia, o nível de suporte prometido, a exclusividade territorial oferecida e o histórico de resultado das unidades já em operação. Um franqueador que cobra um pouco mais, mas entrega suporte de consultoria de campo estruturado e resultado comprovado, tende a converter candidatos com perfil financeiro mais sólido — o que reduz inadimplência de royalties no médio prazo.
O erro que compromete o modelo inteiro
O erro mais recorrente na definição dessas taxas é simular a lucratividade do franqueador sem simular, com o mesmo rigor, a lucratividade do franqueado. Uma estrutura de royalties que parece perfeita na planilha da franqueadora, mas deixa o franqueado sem margem depois de pagar aluguel, folha, insumos e taxas, gera uma rede de unidades sobrevivendo no limite — e unidades no limite são as primeiras a atrasar royalties, reduzir padrão de atendimento e, eventualmente, fechar. A sustentabilidade da receita do franqueador depende diretamente da saúde financeira de quem opera na ponta.
Como a Goakira estrutura esse modelo financeiro
A Goakira trabalha ao lado do franqueador na modelagem financeira completa da rede: definição de taxa de franquia e estrutura de royalties com base em benchmarking real do segmento, simulação de ROI para o franqueado considerando pró-labore e todos os custos operacionais, e desenho da base de cálculo mais adequada ao modelo de negócio — faturamento bruto, compra de produtos ou modelo híbrido. O objetivo é sempre o mesmo: uma estrutura de taxas que sustenta a franqueadora sem sufocar quem opera a unidade.
Se a sua rede está revisando taxas ou formatando o modelo financeiro para começar a franquear, vale conversar com quem já estruturou esse cálculo em segmentos como vestuário, alimentação, calçados e varejo especializado. Agende um diagnóstico com a Goakira e entenda se a sua estrutura de precificação está competitiva e sustentável.
Por Rafael Nunes – Consultor Especialista da Goakira


