Um ano é suficiente para uma marca se tornar franquia?

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Os empreendedores de negócios promissores com menos de um ano de funcionamento que desejam expandir sua empresa por meio de franquia estão correndo contra o tempo. Após a aprovação do Projeto de Lei 4.319/08 na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, isso ficou ainda pior. O deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), autor da proposta, defende que o prazo mínimo de 12 meses é suficiente para que uma empresa “demonstre ao público e ao mercado em geral que tem excelência comercial e administrativa suficientes para estabelecer um sistema de franquia”. Atualmente, a lei em vigor não estabelece prazos.

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Sobre a proposta

A proposta sugere que este período seja suficiente para que um franqueador vivencie e obtenha a experiência necessária dos fatores que geram ou não o sucesso do negócio. Mas, será mesmo que dá para fazer tudo isso em um ano e ainda compartilhar o segredo com os franqueados?

Além do know how, seria suficiente para que a marca, os diferenciais do negócio e as novas unidades se consolidem, o prazo de um ano?

Analise o ranking das empresas associadas à ABF (Associação Brasileira de Franchising). É possível constatar que menos de 10% das franquias retornam o investimento em até 12 meses. Ou seja, aproximadamente 90% delas não conseguem se pagar neste período. Como o projeto de lei, todas essas empresas ficariam sem a perspectiva do efetivo resultado financeiro, de quanto o negócio é realmente rentável.

Outra questão é que em 12 meses é impossível notar as características de variação sazonal. No segmento de vestuário, por exemplo, o franqueador nem teria passado por uma nova coleção de uma mesma estação. Não há como validar o atendimento das expectativas dos clientes em menos tempo, ou então medir a fidelização destes.

Não vivenciar essas variações, pode fazer com que sejam tomadas decisões cada vez mais difíceis. Ou até mesmo de alto risco de impacto financeiro e emocional no negócio. Isso tanto para o franqueador como para o franqueado na realização de marketing regional.

A importância da vivência

Além disso, diversos outros fatores são primordiais. Como confirmar a viabilidade de um empreendimento em relação ao mercado e que são melhores avaliados a longo prazo. Nestes casos não seriam considerados, por exemplo, a efetividade do planejamento estratégico, tempo de lançamento e sucesso de um produto ou serviço. O market share, nível de satisfação e retenção de cliente, etc, também não seriam avaliados.

A falta de vivência também pode ser vital. Pois, mesmo com todo o cenário planejado, o resultado das estratégias regionais pode fugir à regra sendo completamente diferente das do franqueador. O franqueado pode necessitar de mais capital de giro. Ou ainda, o ponto de equilíbrio pode demorar mais tempo para acontecer. Assim, o lucro e rentabilidade podem não ser tão rápidos e generosos como gostaria que fosse.

Por mais coerente que seja o discurso sobre o negócio ou por mais atrativa que ele possa ser, é preciso enfatizar o quão necessário é validar estes indicadores. Só assim é possível a sobrevivência no competitivo mundo empresarial e principalmente a obtenção de um bom lucro. Não avaliá-los pode também não atender por completo aos objetivos do projeto de lei, principalmente, de garantir uma maior segurança de resultado e satisfação aos novos empreendedores de franquias.

Sendo assim, investir numa franquia de uma rede com tempo de vida de apenas 12 meses é um risco alto. Por mais que o projeto se torne ou não lei, não se deve deixar de analisar todas as variáveis táticas e estratégicas antes de se tomar a decisão de fazer parte de uma nova rede. Vale a pena pesquisar bem todas as variáveis.

Nadia Korosue, administradora de empresas, é especialista em projetos.

Fonte: Jornal do Brasil (http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2013/08/29/um-ano-e-suficiente-para-uma-marca-se-tornar-franquia/)

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